segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Marcelle

Um MAR
que aCELLEra sentimentos
e lava a alma.

MARé que chega e finda num gritar
sua vontade de continuar.
Tão CÉLLEbre por seu poder de purificar.

Imenso, tão imenso.
Leve, indispensável.
Sereno.

Um MAR.
CELLEste.

Ondas que anunciam
suas várias formas
de se comportar.

Pois nesse MAR nem tudo corre igual.
Mas ele corre esse desejo de sua vida CELLEbrar

Flores em arames farpados

Flores em arames farpados
é o que eu vejo
quando coloco a cabeça fora da janela
pra engolir o vento.

Haverá um dia
em que engolir o vento
será para todos
uma atividade sem riscos.

Flores cercadas
por espinhos impostos
ficam mais fortes.

Elas são de todas as estações.
E deixam suas pétalas voando
ideias perfumadas.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Relógio de ponto antigo

O relógio conta passagens e os ponteiros carregam lembranças. O tempo não tem fim, mas um tempo conta seu tempo final para iniciar outro tempo. E não há pilha que não faça funcionar os ponteiros do tempo. Às vezes tenho medo do tempo e do tanto de tempo que ele acumula. Retrospectivas não são bem-vindas para uma garota romântica.

sábado, 21 de agosto de 2010

A rua

Em tempos de guerra:

( Ele escreveu um livro de poesias nunca publicado, 23 cartas de amor não enviadas, 4 poemas em jornais nunca divulgados e 10 músicas nunca gravadas. Palavras fugiam do seu coração inspiradas na mulher do outro lado da rua... Que não o conhecia, logo, não o amava. Ele se uniu às ordens de não atravessar a rua, e só isso lhe parecia o mais correto. Pois ele sabia que até no inferno não sofreria como sofre só em olhar para o rosto dela e para seus passos rápidos na calçada, que mais pareciam pisadas lentas e agudas no seu peito. )

fica difícil atravessar a rua.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

1996

O Monza azul na garagem da nossa casa. Não lembro o dia. Não lembro como cheguei perto e me deixei levar pelo carinho que me cercava naquele tempo e naquele lugar. Lembro do portão: grande e verde. Lembro das flores do jardim: macias e perfumadas. Talvez seja fácil lembrar do que você mantém contato com o deslizar dos anos. Mesmo assim, não quero lembrar dessa situação, nem do seu braço ao meu redor. É difícil olhar uma fotografia que traz a saudade de um momento que não consigo mais resgatar - bloqueio. Mas eu sei: era muito bom. Percebo que nessa sacola você leva (ou traz) garrafas de cerveja, para uma possível manhã de domingo regada a sorrisos, desenhos animados, dores na barriga pelas piadas... - bloqueio. Você tinha meu coração quando eu carregava apenas 6 anos de vida. Você tem meu coração. Sei que as formigas do nosso chão não paravam de me morder, mas se você estava ao meu lado só uma coisa eu temia: sua saída. Embalada por nossas manhãs de domingo, seu copinho de cerveja e a certeza da nossa alegria, pois eu sabia que isso acontecia. Mas não me peça para lembrar... Saudade, às vezes, dói.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Pedro e uma garota "que tem saudade... sei lá de quê!"

Hoje me peguei pensando em Pedro. Pedro. E isso é tudo que sei sobre Pedro: seu nome. Sei também que ele não mora na mesma cidade que eu. Sei que ele cursa alguma coisa envolvida com números, engenharia talvez. Então seu nome não é a única coisa que sei, ainda bem, sou meio equivocada nas palavras e nos pensamentos. Ele é de carne e osso, pois já nos encontramos uma vez, apenas uma vez e por algumas horas. Pedro... Sempre quis ter um amigo chamado Pedro (Pedro, Pedro, Pedro, Pedro). Não é exatamente o nome Pedro que me faz ter esse querer, mas pelo coração que esse Pedro carrega. Até por que não é qualquer Pedro que tem um coração como o de Pedro. Pedro tem meu telefone, e eu tenho o telefone de Pedro. Mas fui franca com ele sobre o meu medo de falar ao telefone. Bem me conheço, e sei que quando ele me ligar posso até atender, mas o que vou conversar com Pedro? Sobre minhas vontades inusitadas como a de abrir a geladeira, pensar e depois fechar? Ou pedir pra ele me ensinar a fazer um barquinho de papel? Dizer que hoje bateu saudades de tomar sorvete com ele, mesmo sabendo que a gente nunca fez isso? Talvez.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Todos têm direito ao doce

Queria morar em uma casa colorida. Sorrir colorido. Chorar colorido. Pensar colorido. Felicidade e tristeza em cores iguais. Na mesma casa. Da mesma garota. Romântica? Não. Palavras doces não são apenas para jovens românticos. O doce é uma realidade que todos têm direito, mas o azedo na vida se faz mais presente e o doce se passa por ausente: as pessoas e suas casas caídas, as pessoas e seus sorrisos falidos, as pessoas e seus amores perdidos, as pessoas e seus rostos partidos. A sala, o quarto, o banheiro, a casa: todos sem teto,todos sem chão! A dor e as lágrimas ainda estão entre romances, palavras doces e a vida, agora azeda, de uma menina triste pela perda de tantos corações.