domingo, 18 de setembro de 2011

cabeça pra baixo


ela fechou os olhos

e flutuou no mar de sorrisos e rostos franzidos.

não sabia que a qualquer momento levaria um tombo - por mais que sua expressão declarasse isso -,

mas sabia a doçura que ressoava da sua felicidade.

então, pensou:


"se eu cair, dessa vez:

a dor não vai doer,

a minha cabeça não vai explodir,

o meu coração não vai ficar roxo,

as minhas pernas não vão enfraquecer,

o meu sorriso vai sair

e continuar em mim."


ela caiu.

sábado, 16 de abril de 2011

.

Entre os dentes algo meu se perdeu:
sorriso!
E depois desse, apareceu uma tempestade
infestada de tantos.
Naquele meu lar
quase tudo saiu voando
pela janela
e outras coisinhas ficaram flutuando,
como bolhas de sabão que são passageiras.
Do mesmo chão em que meus pés estão
algo fugiu de mim
como a água que corre da mangueira:
meus sonhos que estão indo...
Mais rápidos que eu
como um leque de chances que se abre
e deixa uma brecha para os olhos.
Para eu estampar os sorrisos dos meus dentes
no olhar. 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

No fundo do prato

Afogar bolachas quebradas no leite derramado.

Cama de galhos

Subi até o galho mais alto
atrás da flores mais belas,
mas não tive forças para descer
e me deitei na cama de galhos
carregados da flores
que sonhei para você.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Marcelle

Um MAR
que aCELLEra sentimentos
e lava a alma.

MARé que chega e finda num gritar
sua vontade de continuar.
Tão CÉLLEbre por seu poder de purificar.

Imenso, tão imenso.
Leve, indispensável.
Sereno.

Um MAR.
CELLEste.

Ondas que anunciam
suas várias formas
de se comportar.

Pois nesse MAR nem tudo corre igual.
Mas ele corre esse desejo de sua vida CELLEbrar

Flores em arames farpados

Flores em arames farpados
é o que eu vejo
quando coloco a cabeça fora da janela
pra engolir o vento.

Haverá um dia
em que engolir o vento
será para todos
uma atividade sem riscos.

Flores cercadas
por espinhos impostos
ficam mais fortes.

Elas são de todas as estações.
E deixam suas pétalas voando
ideias perfumadas.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Relógio de ponto antigo

O relógio conta passagens e os ponteiros carregam lembranças. O tempo não tem fim, mas um tempo conta seu tempo final para iniciar outro tempo. E não há pilha que não faça funcionar os ponteiros do tempo. Às vezes tenho medo do tempo e do tanto de tempo que ele acumula. Retrospectivas não são bem-vindas para uma garota romântica.